As comissões permanentes de Cidadania e Cultura da Câmara Municipal de São José do Rio Preto realizaram reunião pública para debater o Carnaval anunciado pela Prefeitura no Recinto de Exposições. Chamado de “CarnaVirou 2026”, o evento tem um custo de R$ 6 milhões e contempla artistas do gênero sertanejo, como Ana Castela, Simone Mendes e Maiara e Maraísa.
Os questionamentos feitos pelas comissões, presididas por Abner Tofanelli (PSB) – Cultura -, e João Paulo Rillo (PT) – focam em três pontos: a falta de debate com a classe artística – em especial o Conselho Municipal de Políticas Culturais -, a licitação para escolha do empresário que vai explorar o espaço, como estacionamento e camarotes -, bem como a discrepância em relação ao repasse financeiro aos blocos, que já se tornaram tradição no Carnaval de rua de Rio Preto. A Prefeitura vai repassar R$ 150 mil aos blocos por meio de editais.
Apesar de convocados, o chefe de Gabinete, Rodrigo Carmona, e o secretário de Cultura, Robson Vicente, não apareceram, o que gerou reclamação por parte de vereadores e participantes do encontro. “De onde veio esse recurso? Como foi feita a escolha dos artistas e porque a discrepância com o que foi destinado aos blocos?”, questionou Abner.
Rillo destacou a importância da participação da sociedade civil e chegou a falar em improbidade a ausência dos secretários diante de uma convocação da Câmara. “Vamos entrar com representação”, disse. “Um show desse porte não se faz de improviso. Alguém teve de falar antes, pelo menos seis meses. Nada contra a Ana Castela e outros, mas uma sacanagem com a comunidade de Rio Preto”, completou.
Pedro Roberto lamentou a ausência dos secretários e criticou o gasto com o Carnaval. “Lamentar a ausência dos secretários. É surreal o que está acontecendo. A cidade abandonada e gasta R$ 6 milhões com carnaval. É lamentável”
Conselho de Cultura
Após a fala dos vereadores, foi a vez da presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, Camila Schneck. “Mediante o valor veiculado, fizemos uma pesquisa com artistas sobre o que daria para fazer com esse valor que vai ser aplicado em quatro dias: manter uma orquestra sinfônica com 60 músicos com apresentações gratuitas; manter a Lei Nelson Seixas por quatro anos; sete anos de manutenção dos Núcleos de Arte; custear todo o calendário anual da Cultura, teatro, música, hip-hop, FIT, Bienal etc; bancar três Festivais Internacionais de Teatro e inclusive chegar mais perto do almejado 1% para a Cultura. Por que não valorizar os artistas locais, os blocos”, disse Camila.
Diversos outros vereadores – Eduardo Tedeschi (PL), Renato Pupo (Avante) e Odélio Chaves (Podemos), além de representantes do setor cultural usaram a palavra, como o ex-presidente do CMPC, Jorge Vermelho, a representante do Conselho de Diversidade, Elis Bohrer, a conselheira do CMPC Valéria Alves, o presidente da escola de samba Imperatriz Rio-pretense, Sérgio Parada, o presidente da Liga dos Blocos, Thiago Oliveira, e o ex-presidente do CMPC Lawrence Garcia. Todos foram unânimes em condenar o gasto com artistas sertanejos e que o recurso deveria ser investido em artistas e blocos locais. “Sequer passou pelo conselho”, disse Valéria.
Vermelho fez questionamentos a respeito da origem do recurso e a escolha dos artistas sertanejos. “Quais os critérios para escolha dos artistas? De onde veio a dotação orçamentária? Cadê o parecer da Procuradoria que embasou essa contratação? E o conselho, que sequer foi consultado?”
Já o presidente da Liga dos Blocos disse que desde março de 2025 tenta uma reunião com o governo para decidir o Carnaval deste ano, mas que não obteve sucesso. O vereador Tedeschi disse que a situação "poderia ser diferente, o governo poderia ter ouvido um pouco mais. Mas espero que o Carnaval seja um sucesso".
Encaminhamentos
Ao final, Rillo fez os seguintes encaminhamentos, que disse que serão representados ao Ministério Público, como os questionamentos levantados por Vermelho, a respeito da não consulta ao Conselho Municipal de Cultura, que é um órgão deliberativo, a origem dos recursos, a questão da licitação para exploração do Recinto de Exposições, o não comparecimento dos secretários, entre outros. “É muito grave o que está acontecendo. A representação está muito bem fundamentada”, finalizou.
Publicado em: 04/02/2026 19:52:36