A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura o convênio de R$ 11,9 milhões da Prefeitura de Rio Preto com a Santa Casa de Casa Branca para realização de 63 mil exames ouviu na tarde desta quarta-feira (27/5) a assessora da Secretaria de Saúde Cícera Nayara Miranda Paiva. Presidida pelo vereador Renato Pupo (Avante), o grupo tem como relator o vereador Abner Tofanelli (PSB) e membro o vereador Bruno Moura (PL), todos presentes na reunião realizada no auditório da Câmara.
Nayara, que é comissionada da secretaria e está licenciada por conta de uma gravidez de risco, foi ouvida de forma remota como testemunha, não como acusada. Ela explicou sua função dentro do Poder Executivo: desde outubro/novembro de 2025 é responsável na elaboração de planos de ação da Saúde de Rio Preto, bem como na aplicação do que ela chamou de um “choque de gestão” na pasta.
O vereador João Paulo Rillo (PT), suplente da investigação, também fez perguntas. No decorrer do testemunho, Nayara refez a linha do tempo do contrato com a Santa Casa de Casa Branca, cidade que fica no interior do estado de São Paulo, na região de São Carlos: desde a aprovação do convênio pelo Conselho Municipal de Saúde; passando pelo momento chamado por ela de “narrativas confusas e obscuras” de certos veículos de comunicação e munícipes da cidade; chegando ao rompimento do convênio de forma unilateral pela Prefeitura.
Um dos principais objetivos da CEI é recuperar os R$ 4,7 milhões pagos adiantados à Santa Casa de Casa Branca, que já teve o convênio encerrado, mas até o momento teria devolvido apenas R$ 950 mil.
Caso de polícia
A oitiva de Nayara foi a terceira reunião pública da CEI da Casa Branca. No dia 21 de maio, os vereadores receberam no Plenário da Câmara o secretário licenciado de Saúde Rubem Bottas. Invocando o direito constitucional de não se autoincriminar, e amparado pelo habeas corpus, Bottas disse que ficaria em silêncio e que não responderia nenhuma pergunta.
A primeira oitiva foi no dia 15 deste mês, e teve a presença do presidente do Conselho Municipal de Saúde, Fernando Araújo. Na ocasião, Araújo fez uma retrospectiva do caso. Disse que o Conselho aprovou o "mérito" do projeto, que visava acabar com a fila de exames em Rio Preto, mas que o colegiado não participou da elaboração do contrato, não autorizou pagamento adiantado e que foi "induzido ao erro". "É um caso de polícia", disse Araújo, que apontou o secretário e o prefeito como os que considera "responsáveis" pelo convênio.
Nova oitiva cancelada
A oitiva da CEI que estava marcada para a manhã do dia 28 de maio foi cancelada por conta de impossibilidade de comparecimento da servidora que seria ouvida.
Publicado em: 27/05/2026 17:11:38